22 de agosto de 2010

A vida é uma piada

Para aqueles que não sabem, antes de desenvolver minha dissertação de mestrado na área de cooperação internacional, desenvolverei a tese "A vida é uma piada". Consiste em algo simples de comentar em uma mesa de bar, mas nada fácil de provar. Isso ocorre porque a maior parte dos elementos empíricos a serem utilizados pode ser vista de maneiras diametralmente opostas, a depender do ponto de vista do observador, como demonstrado em muitas pesquisas publicadas por uma das instituições mais sérias e respeitadas do mundo.

Vc percebe que a vida é uma piada, quando acorda pensando "ó céus, faço tudo certo e só dá m#$%@" e depois vai dormir pensando "caramba hein... só deu confusão e no fim acabou dando certo". É nesse momento que vc percebe que a vida fez schupleft na sua cara. Vc confirma que a vida é uma piada quando desrespeita o Paradigma do Carneiro para Perguntas e Respostas (antes de fazer uma pergunta, pense: (i) eu sei a resposta? Sim? Então não vou perguntar; ou (ii) eu não sei a resposta! Mas... eu quero mesmo saber? Não? Então não vou perguntar), insiste numa pergunta e a resposta faz schuplaft na sua cara.  Vc se sente a própria tese quando começa a perceber que vc é normal comparada às bizarrices do mundo.

Muitas pessoas explicam isso com a existência de um ser superior, o que não deixa de ser uma boa resposta. Afinal, só sendo mesmo superior a tudo que existe na face da Terra para ser inquestionavelmente o maior piadista jamais visto. O problema é que concluir minha tese com essa resposta não seria científico, mas sim terminar irracionalmente a discussão. Creio que o acaso do destino, quer dizer, um novo roteiro de piada me colocou na busca dos elementos probatórios da minha tese:
1) conheço pessoas que nasceram na década de 90;
2) voltei a ser analfabeta e comecei a aprender uma língua que tem tão-somente 3 sistemas de escrita, sendo que, em um deles, uma pessoa é considerada alfabetizada quando aprende 2.000 caracteres;
3) vou viver em um lugar onde boa parte dos homens pede em namoro antes de dar o primeiro beijo.

Ah, com certeza termino essa tese antes de começar o mestrado...

31 de julho de 2010

Ócio + gastronomia = combinação fatal

Entre o meio de junho e o início de julho foi minha saga gastronômica. Saquei do bolso algumas receitas que tinha guardadas e decidi deixar de ser aquela que só esperava a comida ficar pronta, porque sempre achou que as amigas cozinhavam melhor. Ok, é difícil concorrer com uma pessoa que fez gastronomia e outra que cresceu na cozinha com as mamas ucranianas, mas lições aprendidas: cozinha só se aprende fazendo e nem sempre a mesma receita vai dar certo.
De ruim, ganhei apenas um dedo quase cortado ao meio (seguido de um desmaio) e alguma semi-desidratação com cositas que ficaram salgadas demais. Talvez eu tenha ganhado alguns gramas também... Mas isso foi mais pro final, quando cheguei na feijoada... Ficou tão boa, que passei dois dias almoçando e jantando feijoada! Só não foi apreciada também no café da manhã, porque eu estava acordando já na hora do almoço.
Comecei pelo cachorro quente ao molho picante, receita que queria fazer há séculos, desde que a vi no blog da Gigi. Para os preguiçosos, eu vou copiar a receita, aqui. É ultra-fácil e tem um sabor recompensador da ardência embaixo das unhas. Ah, a foto também é dela, já que eu não tenho câmera e não tirei foto do meu experimento.


 
INGREDIENTES:
1 tomate médio
2 colheres de sopa de alho-poró picado
1 dente de alho
1 pimenta dedo-de-moç
sal e pimenta-reino à gosto
MODO DE PREPARO:
Picar todos os ingredientes. Retirar as sementes da pimenta se não quiser um molho muito picante. Refogar tudo com um pouco de azeite (primeiro o alho, depois o alho-poró, a pimenta e o tomate) e pronto! Se quiser um molho menos “pedaçudo”, deixe a panela tampada em fogo bem baixo por uns dois minutos no máximo.
Obs.: O nível de ardência pode variar conforme o gosto do cozinheiro. O meu foi ultra-picante. O resultado foi acompanhado de uma brejinha.

Depois de algumas semanas de experiências, eu só posso dizer que vale a pena. Mas tem os inconvenientes: (i) dá vontade de aprender cada vez mais, mas, se gastronomia não vai ser sua profissão principal, não é fácil e nem barato aprender muito; (ii) quando não dá tempo de fazer alguma coisa legal, a gente perde a vontade de fazer a comida e já não há mais paladar pra comer qualquer gororoba e vc passa uma boa parte do seu dia se perguntando "ó céus, o que comerei hoje?"; (iii) dá muita vontade de fazer as coisas em casa, pois em São Paulo, qualquer porcaria custa os olhos da cara e vc percebe que consegue fazer muito melhor por menos de 1/3 do preço; (iv) a maior parte das coisas especiais leva itens que, se eu consumir o tempo todo, provavelmente vou começar a ter problemas.
O jeito é tentar achar um equilíbrio. Uma boa forma é começar a fazer aulas na liberdade e comer por lá pelo menos uma vez por semana. Falando nisso... Japonês é uma língua de outro mundo... Mas isso fica pra próxima!

13 de julho de 2010

Rituais

Nesta semana comecei a ter meu primeiro contato verdadeiro com uma língua oriental. Se aprender uma língua nova já é uma experiência quase de outro mundo, aprender uma língua do extremo oriente então... Depois da minha primeira aula, não só eu estava animada para contar as coisas engraçadas, mas todos meus amigos também estavam curiosos para saber um pouquinho do lugar que fica pra lá da China. A parte interessante das reações aos meus relatos foi ouvir de quase todos "nossa, como os japoneses são cheios de rituais, né?". E eu fiquei matutando, porque eu não tinha pensado nisso nem durante e nem depois da aula.

Desde que retornei de Portugal, tenho convivido com muitos intercambistas aqui no Brasil e, passei a ter a oportunidade de vivenciar o português como língua estrangeira e a cultura brasileira como algo a ser divulgado e valorizado, ou seja, algo além daquilo que perpassa meu cotidiano e minha vida natural. Depois dessa experiência, passei a ter uma percepção diferente a respeito da minha língua materna e também da função da língua numa sociedade (a comida também ocupa um lugar importante, mas isso será tema para um próximo post).

Colocando lado a lado o japonês com o português, não creio que um seja mais ritualístico que o outro. Talvez o português brasileiro seja mesmo mais informal, porque os brasileiros em geral tendem a ser mais informais nas suas relações, mesmo as hierárquicas. Mas quem disse que apertar as mãos não é um ritual? E  vai me dizer que vc nunca viu um carioca passar vergonha em São Paulo porque aqui se cumprimenta com só um beijo no rosto, e não dois?

Eu nunca estudei antropologia, mas realmente gostaria de conhecer a razão e a função dos rituais, pois eles são tão relevantes na nossa vida, que abandoná-los para começar a praticar outros causa grandes impactos e dificuldades de adaptação. Passar a controlar o impulso de estender as mãos e, em lugar  disso, mecanizar o movimento de se curvar dizendo "dozo yoroshiku onegaishimasu" sem rir me parece muito mais complicado do que me sentir uma analfabeta por não ler hinagara e katana.

4 de julho de 2010

Todos os nomes

O título deste post convém, pois é também o título de um livro de um dos escritores que mais leio e que morreu recentemente: José Saramago. Mas não é sobre o livro que vou falar, mas sobre nomes mesmo.

Neste fim de semana, visitei um primo distante cuja mulher atual decidiu por livre e espontânea vontade dar aos filhos nomes que iniciam pela letra K. Até aqui, tudo bem... Ocorre que seus filhos não se chamam Kátia e Karolina, por exemplo, mas Kassem, Kelvin e Karen. Esta última, que tem justamente a o nome mais normal, decidiu chamar sua filha de Kevelyn!

No mesmo fim de semana, ao começar a ler um artigo sobre Direito Ambiental, eis que me deparo com uma autora chamada Cinnamon. Não que eu vá respeitar menos o trabalho dela... Muito pelo contrário! Mas considerando o quão pequeno o mundo jurídico é, acredito que no futuro eu a encontre por aí e que será bem difícil segurar uma piadinha ao sermos apresentadas. Imaginem a Professora Cinnamon sendo anunciada na abertura de uma Conferência "teremos conosco Cinnamon" e plateia pensando "que raios... Prefiro cravo!".

Ok, eu me chamo Maybi e sempre penso bem antes de falar de nomes alheios (especialmente antes de falar MAL)... Mas meu nome, apesar de sempre ter causado dificuldades de pronúncia (ainda que eu não entenda por quê, uma vez que basta pronunciar como se lê), nunca me causou constrangimentos, não foi inventado e não é nome de comida em nenhuma língua moderna!

28 de junho de 2010

Clichê, chérie? Non, merci!

Voltando lá em abril... 
Logo depois de Soul Kitchen (aliás, o post foi em inglês porque coloquei no profile do site de cinema que recomendo muito, o The Auteurs), assisti A Serious Man. Por coincidência, a temática era a mesma de Soul Kitchen: como a vida muitas vezes se encarrega de fazer tudo dar errado sem uma mãozinha de ninguém (o mote do personagem principal é "eu/ele não fiz/fez nada!"). E, por incrível que pareça, também era uma comédia, dos irmãos Coen. 

Foi interessante ver duas comédias sobre tragédias cotidianas da vida para observar como isso pode ser abordado de maneiras tão diversas e como realmente tais tragédias são dignas de riso. Enfim, não adianta procurar o rabino e imaginar que haja uma resposta sábia e definitiva pra tudo. O mundo realmente dá voltas! Assim, mesmo que alguém fique parado, pode ser que a tragédia esteja vindo na sua direção.

Os dramas feitos com essa temática também são muito bons pra alma, como o filme de produção franco/alemã Cherry Blossoms. Esse foi o terceiro da série de filmes orientais a que assisti mais recentemente e entrou para a minha humilde classificação "estou cada vez mais impressionada com o modo como japoneses e coreanos tem sensibilidade para expresssar as emoções e o drama de maneira tão intensa e bela".

Além de recomendar esses filmes, tudo que posso dizer é que sou uma cobaia de "o mundo realmente dá voltas", seja para acontecer coisas boas ou ruins. As ruins me renderam boas histórias para posteridade e as boas estão rendendo muitas novas emoções.

11 de abril de 2010

Soul Kitchen

First challenge of the weekend: to have company to go to the cinema.
Usually I like to go to the cinema alone, because I don't like to think the other person isn't going to like the film I've chosen after reading and re-reading the film guide so many times.

Second: to chose something the other person wants to watch.
What if you like and the other doesn't like? I confess... this is a disaster for me.

Third: give up on your choice to watch what the other wants.

I was hoping to watch Das Weisse Band  but my dear friend was tired of films about nazism and the big wars.

That's how I've chosen Soul Kitchen, German-Greek production supposed  to be fun.When I arrived at the
cinema, I saw the director was Fatih Akin... Well, the last film I saw directed by him was Gegen die Wand and instantly thought "Soul Kitchen is going to be fantastic". Soon after, I thought "Thomaz will hate that". But both of us lauhgt a lot and left the cinema happier.
It wasn't a complex history about life, universe and its everyday drama. It was what I call "a story easy to assimilate". And because it isn't easy to make a great film based on an relatively easy screenplay, Fatih Akin demonstrated he is definitely a genious.
All the terrible things in the world happens to Zinos Kazantsakis (the main character) and he doesn't make use of positive thinking. He gets mad, as me, you and even Thomaz! But Fatih shows them to us with a non-dramtic view and the audience keeps laughing... I'm sure everybody thinks "great that this is not happening to ME". So the formula is laugh on the other's tragedy... And feel relieved when things are fixed.

I admit that's not easy to laugh on our own tragedy. But this film made me think we may laugh on our own tragedy more frequently, making life funnier. Also, we can make great things of simple thoughts. in synthesis, probably life is really simpler than we realize.

17 de fevereiro de 2010

Dry Summer

Pra ser sincera, ao longo dos anos acabei por me limitar ao cinema francês. Não sei... Vi e gostei. Como quase nunca me desapontei, continuei vendo. Ao fim, acabei por criar um preconceito em relação a filmes de outras nacionalidades o qual se resumia em "Ok, vou ver! Mas acho que não vou gostar". Continuo mantendo os franceses na lista, mas resolvi (1) tentar gostar de Quentin Tarantino; (2) ver filmes das mais diversas nacionalidades. A proposta 1 foi um fiasco... Entretanto, ainda não vi Inglorious Bastards e então pode ser que ainda exista salvação. A proposta 2 começou bem com Susuz Yaz (Dry Summer). 

Susuz Yaz é um filme turco, da década de 60, ou seja, preto e branco e com legendas em inglês. Ufa, ao menos não é mudo! Ainda assim... Difícil de digerir no começo!  No entanto, com o desenrolar desse longa metragem, a trama e os diálogos singelos vão envolvendo. São apenas três personagens principais: camponeses cuja pequena propriedade fica a montante de um riacho. O "vilão" quer controlar a água, para tê-la em quantidade suficiente para plantar na primavera e colher no verão. Seu irmão (o mocinho) e a mulher deste (a mocinha) são contra essa atitude, pois acreditam que a água é de todos, incluindo os camponeses que tem sua terra a jusante. Em um dos conflitos que ocorrem após o vilão construir - se é que se pode chamar assim o engenho rústico - uma barreira que impedia a vazão da água, o mocinho acaba sendo preso e sua mulher fica sob o mando do vilão, que nutre uma lascívia amedrontadora por aquela.

Bem, não me atrevo a contar mais do que isso, para não estragar as pequenitas surpresas do filme. Mas confesso que as coisas que mais me encantaram foram a fotografia (apesar de estar em preto e branco) e o modo como um conflito tão comum e tão importante foi tratado de forma tão lúcida e simples neste roteiro, que chega mesmo a ser didático em relação a princípios que só a partir da década de 70 passaram a ser considerados essenciais pela comunidade internacional. Ok, meu lado nerd de quem realmente gostou de se dedicar ao estudo do tratamento internacional das águas foi despertado. Mas mesmo para quem não cultiva esse lado nerd, vale a pena!

Fica a minha vontade e curiosidade para aprender mais sobre a complexidade da Turquia. É uma pena que quando viajei pra lá não tenha tido tempo e nem maturidade para admirar melhor sua riqueza.

10 de fevereiro de 2010

Aquele querido mês de agosto (Our beloved month of August)

Bem cotado, com muitas cenas de regiões de Portugal (em tese com boa fotografia) e uma oportunidade de ver o despontante cinema português no Brasil. Tal filme me chamou atenção. Logo quis ver, mas lá nessa época não deu. 
Neste fim de semana, comprei o filme no The Auteurs. Não esperava nada, mesmo porque não conheço cinema português e muito menos o estilo de qualquer diretor. Ainda assim, o filme surpreendeu-me negativamente. Nada de inovador no estilo (uma tentativa de filme metalinguístico e com inversões temporais), nada de inovador na fotografia (não tratou as belíssimas paisagens portuguesas com o devido valor) e nada de inovador no roteiro.
Parte tem como mote o trabalho de uma equipe para produzir um filme e escolher os atores para as personagens, com inserção de diálogos que tentam ser nonsense. A outra parte do filme é o próprio roteiro desse filme que se pretendia produzir e que conta a história de uma adolescente "orfã" de mãe (esta desapareceu de casa e nunca mais voltou) que canta em uma banda de música pimba formada por seu pai, seu tio e seu primo. Já para o meio do filme, óbvio que os primos se apaixonam e, desculpem contar, não ficam juntos no final. Oh, surprise!
Ok, ainda darei mais uma chance ao cinema português, já que esta foi a primeira mostra, mas isto já não começou bem, ê pah!
Por enquanto, vou ficar com um cineminha turco para cultivar minha paixão pela cultura turca. Para o fim de semana? Espero ver Invictus no cinema de verdade!